Não gosto muito de escrever sobre futebol por aqui, até porque é um assunto que de uns tempos para cá tem me irritado demais. Não pelo esporte em si, ainda tenho gosto em assistir a um bom jogo, mas sim pelo que acontece no entorno da coisa, principalmente aqui no Brasil. A gente sabe que o mundo da bola sempre foi e sempre será muito maior do que a centesimal fração do que vemos em campo. Sabemos, temos consciência dos mecanismos que atuam para manter essa imensa engrenagem rodando.No entanto aqui na nossa terra conseguimos a proeza de transformar o futebol em um imenso CIRCO. Como, hoje em dia, os picadeiros se proliferam por quase todas as áreas deste país, era de se esperar que isso acontecesse também com o futebol. Os grandes times lutam por NOMES ao invés de TALENTOS. Investem na IMAGEM da INDIVIDUALIZAÇÃO ao invés de incentivar a idéia de união, de grupo, de time. Perdem o foco constantemente indo à público para propagar anúncios quixotescos de contratações fantasiosas só para aparecer mais que os outros. Trocam os comandantes ao bel prazer de "craques" semi-adolescentes arrogantes. E por aí vai.
Os clubes viraram balcões de negócios, encubadoras onde se preparam atletas para jogar lá fora. E pior ainda, criam e alimentam esta cultura, a de que jogador que quiser ser levado à sério tem de se mandar daqui, numa atitude tacanha e incoerente, atentando contra o próprio patrimônio. Enquanto isso tudo gira, a mídia, um dos maiores incentivadores do "espetáculo" se apressa em coroar cabeças cada vez mais jovens, dando-lhes status de Reis, Imperadores e Deuses que tudo podem e tudo tem, na ânsia de preencher lacunas que nunca mais poderão ser preenchidas.
E aos jovens monarcas dá-se também, de quebra, todo o peso de uma responsabilidade absurda e desproporcional. Afinal, quando as coisas não dão certo as pessoas apontam sempre para aquele que supostamente teria a "divindade" necessária para resolver tudo. E ninguém se lembra que existe uma equipe, infelizmente, montada não como um aparelho tático, mas sim como um elenco de apoio que está lá apenas para servir de escada para a Estrela mor. Se mesmo assim ela não brilhar, paciência, constrói-se outra imediatamente.
O resultado final só podia mesmo ser esse que estamos vendo agora : Um grupo patético, sem noção alguma de coletividade, sem nenhum espírito de competitividade e com corações e mentes voltados apenas para uma coisa, o sucesso pessoal. Uma caricatura de time que, mesmo com tantas e visíveis necessidades, ainda tem a coragem de tentar se sustentar em um passado de glórias quase longíncuo e de sair de campo botando a culpa na... grama ! A mesma grama onde pisava o adversário que nos derrotou e que - ora vejam só - não reclamou de absolutamente nada.
Não somos mais os melhores.
Precisamos reaprender a ser.


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