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domingo, 8 de junho de 2008

Dia de fúria

Este aí na foto sendo preso pela polícia de Tokio chama-se Tomohiro Kato, de 25 anos. Neste domingo, por volta das 12h 30min, o senhor Tomohiro se levantou da cama com raiva do mundo e decidido a fazer algo a respeito. Sendo assim ele pegou sua camionete e rumou para o bairro de Akihabara em Tokio, um dos lugares mais frequentados da cidade especialmente nos finais de semana, e despejou sua fúria em todo mundo que encontrou pela frente.

Primeiro, ele avançou com sua camionete sobre vários pedestres. Depois de atropelar várias pessoas ele desceu do veículo armado com uma faca e saiu atacando todo mundo que cruzasse pelo seu caminho. Ao todo, até a polícia conseguir dominá-lo, Tomohiro matou 7 pessoas e mandou mais umas 11 para o hospital feridas gravemente. Ao ser preso, ele simplesmente declarou que "estava com raiva de tudo, que queria simplesmente matar gente e que qualquer um serviria".

Daqui do outro lado do mundo, poucos de nós sabem com detalhes como funciona a sociedade japonesa. O pouco que conhecemos nos diz que os indivíduos lá são expostos desde muito cedo à cobranças severas quanto a perfeição e a intolerância para com aqueles que erram é gigantesca. E assim é durante toda a vida, desde o colégio até o trabalho. Antigamente esta fórmula garantiu ao Japão a força que precisava para reerguer-se e impor-se frente ao resto do mundo, depois de quase sumir do mapa após a segunda guerra.

No entanto os tempos foram mudando e a constante influência ocidental acabou, como não deveria deixar de ser, entrando em conflito com a disciplina e os rígidos costumes orientais fazendo com que as novas gerações, complemente influenciáveis, se vissem oprimidas entre o desejo de liberdade vendido pelo outro lado do mundo e a obediência aos padrões ancestrais de comportamento que lhes era imposto pelos pais. O resultado disso, era óbvio : depressão.

Logo surgiu a internet, aumentando ainda mais o grau de instrospecção destas pessoas e tempos depois líamos notícias por aí de grupos de jovens que firmavam pactos suicidas pela rede. Até hoje o número de jovens que se suicida no Japão, pura e simplesmente por estarem deprimidos, bate os números de qualquer outro país. A explosão de ódio do senhor Kato não chega a surpreender, mas imagino que deva servir como um sinal de alerta aos japoneses de que algo precisa ser feito.

Posso estar redondamente enganado, mas essa é a leitura que tenho disso, daqui de longe. Talvez os amigos Krika e Marco, que estão por lá, possam corrigir (ou corroborar) estas opiniões.

(*)reportagem completa aqui

4 comentários:

Luma disse...

Que doideira, heim? Sei que no Japão existem inúmeros casos de depressão, justamente por causa de competitividade na vida profissional. Eu queria saber o que vai acontecer com essa pessoa. Beijus

Iara Alencar disse...

Oi,
Acho que depressão não é só um al do japão.

Talvez seja um mal que humanidade terá que combater futuramente, porque a internet, as facilidades do mundo virtual, a televisão está sugando cada vez mais nosso desejo de interagir com a sociedade.

Teacher disse...

Depressão é o mal do século (passado já!). E uma pessoa deprimida não tem forças para esfaquear nem um pedaço de pão.

Anônimo disse...

O Japão é tão organizado que chega a ser tedioso. Se um maluco desses não toma iniciativa os jornais podem acabar falindo por falta de más notícias. Aqui não.

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